domingo, 5 de março de 2017

O Clube dos Tatuados

Falta pouco mais de uma semana para fazer a minha primeira tatuagem. Não estou ansiosa nem constantemente a pensar no assunto - neste momento a minha mente está mais focada noutro assunto. Por um lado, ainda bem que assim é. Conheço-me bem ao ponto de saber que quanto mais penso num assunto, pior é. Nada me garante que não vou dar em maluca nos próximos dias, com a ansiedade, mas agora está tudo bem e é o que importa.
Para mim o mais difícil foi ir ao estúdio falar com o tatuador pela primeira vez. Adiei a primeira visita durante meses e arranjava todas as desculpas que podia para não ir lá nos dias que tinha estipulado. No dia em que tomei coragem para ir tremia que nem varas verdes. Atrapalhei-me vezes sem conta enquanto falava com ele e tenho a certeza que passei uma imagem nada impressionante sobre mim. Ainda assim lá marquei a tatuagem e resolvemos todos os detalhes com uma rapidez impressionante - a experiência dele e o facto de eu já saber bem o que queria ajudaram muito.
Na próxima semana vou, provavelmente, com uma amiga. Se entretanto ela mudar de ideias, o que não me parece provável, irei sozinha. O importante é que vou fazer algo que há anos ambiciono. Até agora este está a ser o ano em que finalmente estou a ganhar coragem para fazer aquilo que sempre quis fazer, dentro das minhas possibilidades. Já fui a Lisboa, já fui a um concerto da minha banda favorita, vou fazer uma tatuagem em breve e, pelos meus planos, não vou ficar por aqui. O ano ainda só está a começar. 


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A primeira vez Paleo

Decidi começar a ter uma alimentação paleo. Há uns tempos que andava a pensar nisso - na verdade foram só alguns dias mas eu juro que me informei ao pormenor! - e a dieta paleo pareceu-me ser a mais adequada para mim, por uma razão muito simples: quero perder algum peso sem passar uma fome danada. Até porque dietas em que se passa fome não são para mim. De todas as vezes que decidi fazer uma, duas horas depois já tinha mudado de ideias. No entanto, apesar de adorar massas, arroz, coisas carregadas de açúcares e mil outras coisas que são proibidas, decidi comprometer-me com a paleo porque a vontade de perder aqueles quilinhos a mais é maior. Então estou motivada para mudar os meus hábitos alimentares.
Comecei no início desta semana. Não mudei radicalmente até porque só hoje tive tempo para ir comprar os alimentos essenciais para o meu novo estilo de vida. Nestes três dias já "pequei": já comi arroz, sem falar naquele bocadinho de alheira que me soube pela vida. No entanto já me posso gabar de ter sobrevivido três dias sem doces. Dois e meio, vá, porque hoje já assaltei o chocolate que comprei. É 77% de cacau, ou seja "paleo aceitável",  e depois do esforço que tive que fazer para comer um iogurte grego natural com frutos vermelhos e sementes, mereci aquele quadradinho, ok? Já para não falar que me controlei ao ponto de comer apenas um quadradinho e nada mais!
Não prometo deixar de comer massas (que eu adoro!), arroz e alguns docinhos. Se for muito de vez em quando, porque não? Neste momento só quero conseguir baixar, de uma vez, dos 65kg que há uns meses me atormentam. Será que vou conseguir? 





segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O Concerto

Fui a Lisboa e fui ao concerto. Não pensei em momento algum em não ir. Aliás, pensar até pensei, mas não foi algo forte o suficiente para me fazer considerar essa opção. Queria ir e fui. Há anos que desejava ver esta banda e, apesar deles já cá terem vindo montes de vezes, nunca tive coragem para ir a um festival sozinha. Um concerto em nome próprio, numa sala mais pequena, pareceu-me uma boa opção para ir sem companhia e não estava enganada. Não conheci ninguém no concerto mas mal cheguei ao Coliseu percebi que não era a única pessoa na fila que não levava acompanhante(s). 
Não posso dizer que foi o melhor dia da minha vida, apesar de ter aguardado por este momento durante anos e anos. Não estava completamente à vontade nem me deixei envolver pelo ambiente do concerto a cem por cento. A minha personalidade e timidez não me permitiram tanto. Mas diverti-me e aproveitei cada segundo. A partir de agora prometo a mim mesma: não voltarei a impedir-me de ir a um concerto só porque não tenho companhia. 


domingo, 15 de janeiro de 2017

Planos fora de horas

Sou uma pessoa pouco sociável. Falo pouco com quem me rodeia pois não sinto confiança para o fazer, passo os dias a sentir-me miserável e a pensar no momento em que finalmente poderei voltar para casa e não mais de lá sair. Excepto durante dois dias por mês. Aqueles dias em que parece que o sol brilha especialmente para mim - mesmo que esteja um dia de caca e não se veja o sol. Acordo bem disposta, ando mais alegre durante o dia e apetece-me fazer mil e uma coisas diferentes. 
São nesses dois dias que combino saídas com a minha melhor amiga, a única que me atura. O problema é que as coisas com ela não podem ser marcadas no mesmo dia e acabo por marcar para os dias subsequentes. Esse é o meu erro. É que esses dias de pura felicidade acabam e o que vem logo a seguir? A menstruação. Certinho e direitinho. 
É como passar de oito para oitenta. Num dia estou muito bem, no outro sinto-me a pessoa mais miserável deste mundo. Sair de casa é um sacrifício. Empanturro-me de mediação para aliviar as dores mas o desconforto ninguém me tira durante umas quarenta e oito horas. Para piorar a minha situação, é sempre nessa altura que tenho saídas combinadas. Lá vou eu para o cinema ou jantar fora quando tudo o que ma apetecia era ficar em casa, deitada na cama ou no sofá a fingir que não existe um mundo lá fora. Quem inventou a menstruação não devia mesmo gostar das mulheres.


domingo, 25 de dezembro de 2016

Um passo de cada vez

Assim que confirmei a minha presença no jantar de Natal, soube que tinha que ir. Pensei várias vezes em não ir, arranjar uma desculpa de última hora, mas também sabia que essa não era a minha melhor opção. Por essa razão acabei por ir, ainda que muito desconfortável. 
Durante o jantar não consegui descontrair, nem por um minuto. Estava lá quase toda a gente, incluindo as pessoas de quem mais gosto no meu local de trabalho mas, devido à minha timidez, não consegui ir ter com elas nem iniciar uma conversa de forma natural. Acabei por passar a noite com as pessoas mais velhas, perdendo um bocado da diversão da mesa do fundo - onde estavam os colegas da minha idade, com quem mais me identifico. 
Sei que a noite poderia ter sido diferente. Podia-me ter sentado com os colegas da minha idade, se não fosse tão tímida. Podia ter-me rido das piadas deles e ficado lá mais tempo. Ao invés disso, passei a noite retraída e saí na primeira oportunidade que tive, assim que começou o bailarico. Não quis correr o risco de ficar mais tempo e ser chamada para dançar, situação que me aterrorizava só de pensar que podia ocorrer. 
Não me arrependo de ter ido. Antes pelo contrário, acredito que sair de casa para ir foi, por si só, uma vitória. Sinto-me feliz por ter comparecido pois, como diz a minha mãe, "quem não é visto não é lembrado".


domingo, 11 de dezembro de 2016

O Jantar de Natal

Daqui a uns dias tenho o jantar de Natal do trabalho. Não quero ir, da mesma maneira que não quero ir a lado nenhum. Só pensar em ir, estar no meio de todos os meus colegas e ter que conviver e falar com eles , deixa-me ansiosa. Isto porque apesar de já lá trabalhar há quase seis meses e me dar bem com toda a gente, tenho tido muita dificuldade em adaptar-me e não tenho confiança para simplesmente meter conversa com quem quer que seja - principalmente se não trabalharem na minha secção. 
O meu medo é apenas um - ficar sozinha, no meio de toda aquela gente toda, e que alguém repare nisso. Desde que lá estou já foram realizados dois jantares - fui a um, ao outro faltei por causa disso mesmo. No primeiro o medo foi ultrapassado a partir do momento em que vi lá uma das minhas colegas de secção. Com ela, que é muito extrovertida, foi tudo mais fácil. Nunca estive sozinha e, apesar de me ter sentido várias vezes desconfortável, até me diverti. Agora não sei se ela vai ao de Natal - foi transferida de secção - e não sei quem está a pensar ir e quem não vai.
Por um lado sinto-me na obrigação de ir - saio às 21h e o jantar é a essa mesma hora, na loja. Não ir significa passar pelos meus colegas de trabalho, que vão, e ter que justificar o porquê de ir embora. Não me ocorre nenhuma desculpa - digo, mentira - para lhes dar. O que me dá mais alento é o facto de a Rita, minha colega de secção, sair comigo a essa hora. Ela nunca alinha nessas coisas, se sairmos as duas juntas já não me sinto tão mal por ir sozinha. Sei o que quero - não ir - mas ainda não tomei nenhuma decisão. Só quero que esse dia chegue, e passe para me livrar deste dilema.


sábado, 10 de dezembro de 2016

A Primeira Vez

No final de Janeiro vou a Lisboa ver o concerto de uma das minhas bandas favoritas. Uma situação completamente normal, não fossem os seguintes detalhes - sou rapariga e vou sozinha. Assim sendo, achei que seria uma boa ideia começar um blogue mas desenganem-se se acreditam que o problema, se é que ele existe, é apenas esse. As razões são mais que muitas: 

➳ Nunca fui sozinha a um concerto 
➳ Nunca fui a um concerto sequer* 
➳ Só fui duas vezes a Lisboa e, em ambas, fui apenas e só ao Zoo
➳ Nunca fui a Lisboa sozinha
➳ Nunca viajei sozinha para uma cidade a mais de 50 km da minha
➳ Sou extremamente tímida e quase entro em pânico só de imaginar falar com desconhecidos

O bilhete está comprado. Já pensei em ir e já pensei em ficar. Até lá, à medida que o planeamento da viagem avança, vou passar por várias situações e, como tal, um blogue é o sítio perfeito para as relatar. Hoje, a pouco mais de um mês do concerto, ainda não sei se vou conseguir ir ou se, à última hora, vou desistir de todos os planos. Sei que não vai ser fácil pois apesar de a minha vida ser muito monótona, os meus dilemas quotidianos são bem atribulados.


* Para mim aqueles concertos dos DZRT e dos Da Weasel na Semana Académica, quando era uma miúda de 13 ou 14 anos, não contam, ok?