domingo, 25 de dezembro de 2016

Um passo de cada vez

Assim que confirmei a minha presença no jantar de Natal, soube que tinha que ir. Pensei várias vezes em não ir, arranjar uma desculpa de última hora, mas também sabia que essa não era a minha melhor opção. Por essa razão acabei por ir, ainda que muito desconfortável. 
Durante o jantar não consegui descontrair, nem por um minuto. Estava lá quase toda a gente, incluindo as pessoas de quem mais gosto no meu local de trabalho mas, devido à minha timidez, não consegui ir ter com elas nem iniciar uma conversa de forma natural. Acabei por passar a noite com as pessoas mais velhas, perdendo um bocado da diversão da mesa do fundo - onde estavam os colegas da minha idade, com quem mais me identifico. 
Sei que a noite poderia ter sido diferente. Podia-me ter sentado com os colegas da minha idade, se não fosse tão tímida. Podia ter-me rido das piadas deles e ficado lá mais tempo. Ao invés disso, passei a noite retraída e saí na primeira oportunidade que tive, assim que começou o bailarico. Não quis correr o risco de ficar mais tempo e ser chamada para dançar, situação que me aterrorizava só de pensar que podia ocorrer. 
Não me arrependo de ter ido. Antes pelo contrário, acredito que sair de casa para ir foi, por si só, uma vitória. Sinto-me feliz por ter comparecido pois, como diz a minha mãe, "quem não é visto não é lembrado".


domingo, 11 de dezembro de 2016

O Jantar de Natal

Daqui a uns dias tenho o jantar de Natal do trabalho. Não quero ir, da mesma maneira que não quero ir a lado nenhum. Só pensar em ir, estar no meio de todos os meus colegas e ter que conviver e falar com eles , deixa-me ansiosa. Isto porque apesar de já lá trabalhar há quase seis meses e me dar bem com toda a gente, tenho tido muita dificuldade em adaptar-me e não tenho confiança para simplesmente meter conversa com quem quer que seja - principalmente se não trabalharem na minha secção. 
O meu medo é apenas um - ficar sozinha, no meio de toda aquela gente toda, e que alguém repare nisso. Desde que lá estou já foram realizados dois jantares - fui a um, ao outro faltei por causa disso mesmo. No primeiro o medo foi ultrapassado a partir do momento em que vi lá uma das minhas colegas de secção. Com ela, que é muito extrovertida, foi tudo mais fácil. Nunca estive sozinha e, apesar de me ter sentido várias vezes desconfortável, até me diverti. Agora não sei se ela vai ao de Natal - foi transferida de secção - e não sei quem está a pensar ir e quem não vai.
Por um lado sinto-me na obrigação de ir - saio às 21h e o jantar é a essa mesma hora, na loja. Não ir significa passar pelos meus colegas de trabalho, que vão, e ter que justificar o porquê de ir embora. Não me ocorre nenhuma desculpa - digo, mentira - para lhes dar. O que me dá mais alento é o facto de a Rita, minha colega de secção, sair comigo a essa hora. Ela nunca alinha nessas coisas, se sairmos as duas juntas já não me sinto tão mal por ir sozinha. Sei o que quero - não ir - mas ainda não tomei nenhuma decisão. Só quero que esse dia chegue, e passe para me livrar deste dilema.


sábado, 10 de dezembro de 2016

A Primeira Vez

No final de Janeiro vou a Lisboa ver o concerto de uma das minhas bandas favoritas. Uma situação completamente normal, não fossem os seguintes detalhes - sou rapariga e vou sozinha. Assim sendo, achei que seria uma boa ideia começar um blogue mas desenganem-se se acreditam que o problema, se é que ele existe, é apenas esse. As razões são mais que muitas: 

➳ Nunca fui sozinha a um concerto 
➳ Nunca fui a um concerto sequer* 
➳ Só fui duas vezes a Lisboa e, em ambas, fui apenas e só ao Zoo
➳ Nunca fui a Lisboa sozinha
➳ Nunca viajei sozinha para uma cidade a mais de 50 km da minha
➳ Sou extremamente tímida e quase entro em pânico só de imaginar falar com desconhecidos

O bilhete está comprado. Já pensei em ir e já pensei em ficar. Até lá, à medida que o planeamento da viagem avança, vou passar por várias situações e, como tal, um blogue é o sítio perfeito para as relatar. Hoje, a pouco mais de um mês do concerto, ainda não sei se vou conseguir ir ou se, à última hora, vou desistir de todos os planos. Sei que não vai ser fácil pois apesar de a minha vida ser muito monótona, os meus dilemas quotidianos são bem atribulados.


* Para mim aqueles concertos dos DZRT e dos Da Weasel na Semana Académica, quando era uma miúda de 13 ou 14 anos, não contam, ok?