segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O Concerto

Fui a Lisboa e fui ao concerto. Não pensei em momento algum em não ir. Aliás, pensar até pensei, mas não foi algo forte o suficiente para me fazer considerar essa opção. Queria ir e fui. Há anos que desejava ver esta banda e, apesar deles já cá terem vindo montes de vezes, nunca tive coragem para ir a um festival sozinha. Um concerto em nome próprio, numa sala mais pequena, pareceu-me uma boa opção para ir sem companhia e não estava enganada. Não conheci ninguém no concerto mas mal cheguei ao Coliseu percebi que não era a única pessoa na fila que não levava acompanhante(s). 
Não posso dizer que foi o melhor dia da minha vida, apesar de ter aguardado por este momento durante anos e anos. Não estava completamente à vontade nem me deixei envolver pelo ambiente do concerto a cem por cento. A minha personalidade e timidez não me permitiram tanto. Mas diverti-me e aproveitei cada segundo. A partir de agora prometo a mim mesma: não voltarei a impedir-me de ir a um concerto só porque não tenho companhia. 


domingo, 15 de janeiro de 2017

Planos fora de horas

Sou uma pessoa pouco sociável. Falo pouco com quem me rodeia pois não sinto confiança para o fazer, passo os dias a sentir-me miserável e a pensar no momento em que finalmente poderei voltar para casa e não mais de lá sair. Excepto durante dois dias por mês. Aqueles dias em que parece que o sol brilha especialmente para mim - mesmo que esteja um dia de caca e não se veja o sol. Acordo bem disposta, ando mais alegre durante o dia e apetece-me fazer mil e uma coisas diferentes. 
São nesses dois dias que combino saídas com a minha melhor amiga, a única que me atura. O problema é que as coisas com ela não podem ser marcadas no mesmo dia e acabo por marcar para os dias subsequentes. Esse é o meu erro. É que esses dias de pura felicidade acabam e o que vem logo a seguir? A menstruação. Certinho e direitinho. 
É como passar de oito para oitenta. Num dia estou muito bem, no outro sinto-me a pessoa mais miserável deste mundo. Sair de casa é um sacrifício. Empanturro-me de mediação para aliviar as dores mas o desconforto ninguém me tira durante umas quarenta e oito horas. Para piorar a minha situação, é sempre nessa altura que tenho saídas combinadas. Lá vou eu para o cinema ou jantar fora quando tudo o que ma apetecia era ficar em casa, deitada na cama ou no sofá a fingir que não existe um mundo lá fora. Quem inventou a menstruação não devia mesmo gostar das mulheres.