domingo, 15 de janeiro de 2017

Planos fora de horas

Sou uma pessoa pouco sociável. Falo pouco com quem me rodeia pois não sinto confiança para o fazer, passo os dias a sentir-me miserável e a pensar no momento em que finalmente poderei voltar para casa e não mais de lá sair. Excepto durante dois dias por mês. Aqueles dias em que parece que o sol brilha especialmente para mim - mesmo que esteja um dia de caca e não se veja o sol. Acordo bem disposta, ando mais alegre durante o dia e apetece-me fazer mil e uma coisas diferentes. 
São nesses dois dias que combino saídas com a minha melhor amiga, a única que me atura. O problema é que as coisas com ela não podem ser marcadas no mesmo dia e acabo por marcar para os dias subsequentes. Esse é o meu erro. É que esses dias de pura felicidade acabam e o que vem logo a seguir? A menstruação. Certinho e direitinho. 
É como passar de oito para oitenta. Num dia estou muito bem, no outro sinto-me a pessoa mais miserável deste mundo. Sair de casa é um sacrifício. Empanturro-me de mediação para aliviar as dores mas o desconforto ninguém me tira durante umas quarenta e oito horas. Para piorar a minha situação, é sempre nessa altura que tenho saídas combinadas. Lá vou eu para o cinema ou jantar fora quando tudo o que ma apetecia era ficar em casa, deitada na cama ou no sofá a fingir que não existe um mundo lá fora. Quem inventou a menstruação não devia mesmo gostar das mulheres.


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